Você já comprou alguma coisa e, pouco tempo depois, percebeu que poderia ter ficado sem ela? Isso acontece com mais frequência do que parece. Uma promoção, uma compra por impulso ou até aquele pequeno gasto que parece insignificante podem consumir uma parte do dinheiro que estava destinado a algo mais importante.
O problema não está em gastar dinheiro com lazer ou comprar algo que você deseja. Afinal, o dinheiro também deve proporcionar momentos de prazer e qualidade de vida. A dificuldade aparece quando as compras desnecessárias se tornam frequentes e começam a atrapalhar outros objetivos.
Aprender como parar de gastar dinheiro com coisas desnecessárias não significa deixar de comprar tudo o que você gosta. Significa entender melhor suas escolhas e decidir para onde seu dinheiro deve ir.
Entenda por que você está gastando demais
Antes de tentar mudar seus hábitos, é importante descobrir o que está levando você a gastar.
Algumas compras acontecem porque realmente precisamos de determinado produto. Outras surgem simplesmente porque vimos uma promoção, recebemos uma oferta ou tivemos vontade de comprar naquele momento.
Também existem gastos relacionados à conveniência. Pedir comida por aplicativo em um dia cansativo, comprar algo porque estava à mão ou adquirir um produto apenas para aproveitar uma oferta são situações comuns.
O primeiro passo, portanto, não é cortar tudo. É observar o próprio comportamento.
Durante alguns dias, anote as compras que você faz e tente responder: eu precisava disso ou apenas quis comprar?
Essa simples pergunta pode revelar padrões que normalmente passam despercebidos.
Aprenda a diferenciar necessidade de desejo
Uma das formas mais eficientes de evitar gastos desnecessários é aprender a diferenciar uma necessidade de um desejo.
Necessidade é aquilo que possui uma função importante na sua vida e que, em determinado momento, realmente precisa ser adquirido. Desejo é algo que você gostaria de ter, mas que pode esperar ou até mesmo ser dispensado.
A diferença nem sempre é absoluta. Um celular, por exemplo, pode ser uma necessidade para alguém que depende dele para trabalhar, enquanto para outra pessoa a troca por um modelo mais novo pode ser apenas um desejo.
Por isso, antes de comprar, vale perguntar:
- Eu realmente preciso disso?
- O que eu já tenho ainda atende à minha necessidade?
- Posso esperar alguns dias antes de decidir?
- Essa compra estava prevista?
- Esse dinheiro poderia ser usado para algo mais importante?
Não é necessário responder “não” a todas as compras. O objetivo é evitar que uma decisão momentânea seja tomada automaticamente.
Cuidado com as compras por impulso
A compra por impulso costuma acontecer quando a decisão é tomada rapidamente, sem que haja tempo para avaliar suas consequências.
Você entra em uma loja para olhar alguma coisa e encontra uma promoção. Navega pela internet e aparece um produto com desconto. Recebe uma oferta no celular e sente que precisa aproveitar naquele momento.
O problema é que a urgência muitas vezes não está na necessidade do produto, mas na oportunidade de comprá-lo.
Uma maneira simples de diminuir esse comportamento é criar uma regra pessoal: não comprar imediatamente aquilo que não estava planejado.
Para compras pequenas, você pode esperar algumas horas. Para compras de maior valor, pode estabelecer um prazo de um ou mais dias.
Se depois desse período a vontade continuar e a compra fizer sentido dentro do orçamento, você poderá decidir com mais tranquilidade.
Não confunda promoção com economia
Uma das armadilhas mais comuns é pensar que comprar algo em promoção significa necessariamente economizar.
Se um produto que você não precisava custava R$ 200 e passou a custar R$ 150, você não economizou R$ 50. Você gastou R$ 150.
A economia só existe quando o produto já fazia parte dos seus planos e o desconto realmente reduz o valor que você precisaria pagar.
Por isso, antes de aproveitar uma promoção, pergunte:
“Eu compraria isso se não estivesse em promoção?”
Se a resposta for não, talvez o desconto esteja apenas incentivando uma compra que não estava nos seus planos.
A própria SUSEP — Consumo Consciente destaca a importância de planejar as compras, refletir sobre as necessidades e evitar compras por impulso.
Observe os pequenos gastos que se repetem
Nem sempre o problema está em uma grande compra.
Um café comprado todos os dias, alguns pedidos de comida durante a semana, assinaturas pouco utilizadas, pequenas compras pela internet e outros gastos de baixo valor podem se acumular ao longo do mês.
O problema não é necessariamente cada gasto isoladamente. É a frequência.
Imagine, por exemplo, que uma determinada compra custe R$ 15 e aconteça quatro vezes por semana. Ao longo de um mês, o valor pode ultrapassar R$ 240.
Isso não significa que você precise eliminar completamente esse gasto. Talvez seja suficiente reduzir a frequência.
A pergunta mais importante é: esse gasto frequente está trazendo um benefício que justifica o dinheiro que estou deixando de usar em outra coisa?
Cuidado com o cartão de crédito
O cartão de crédito pode facilitar as compras, mas também pode fazer com que o impacto de uma decisão pareça menor no momento da compra.
Uma compra de R$ 300 parcelada pode parecer mais fácil de aceitar quando aparece como pequenas parcelas. O problema é que várias compras desse tipo podem comprometer uma parte considerável da renda futura.
Antes de parcelar algo, considere o valor total da compra e não apenas o tamanho da parcela.
Também é importante lembrar que o limite disponível no cartão não representa dinheiro sobrando no orçamento.
Se você já percebeu que o cartão facilita suas compras por impulso, uma alternativa é diminuir a exposição às compras. Por exemplo, retirar o cartão de lojas virtuais, evitar deixar os dados salvos e pensar antes de finalizar uma compra.
Evite comprar para aliviar emoções
Algumas pessoas gastam mais quando estão ansiosas, frustradas, entediadas ou procurando uma recompensa depois de um dia difícil.
Comprar pode proporcionar uma sensação agradável naquele momento. Porém, quando esse comportamento se transforma em hábito, o dinheiro pode começar a ser usado como uma forma automática de lidar com emoções.
Quando perceber vontade de comprar sem ter planejado, experimente fazer uma pausa e identificar o motivo.
Você está realmente interessado no produto ou está procurando uma sensação diferente?
Uma caminhada, uma conversa, um filme, um hobby ou outra atividade que não envolva dinheiro pode ajudar a quebrar esse padrão.
Crie uma lista de desejos
Nem todo desejo precisa ser eliminado.
Uma estratégia interessante é criar uma lista para registrar aquilo que você gostaria de comprar, mas que não precisa adquirir imediatamente.
Quando encontrar algo interessante, em vez de comprar na hora, anote o produto e o preço.
Depois de alguns dias, volte à lista.
Você pode descobrir que ainda deseja o produto e que ele realmente vale a pena. Mas também pode perceber que a vontade desapareceu.
Essa espera ajuda a separar uma vontade passageira de uma compra que realmente faz sentido.
Dê um destino ao dinheiro que você deixar de gastar
Economizar apenas por economizar pode ser difícil. Fica muito mais fácil quando existe um motivo.
Imagine que você percebeu que consegue deixar de gastar R$ 100 por mês com compras que não eram importantes.
Em vez de simplesmente pensar que “sobraram R$ 100”, dê um destino para esse dinheiro.
Ele pode contribuir para uma viagem, uma compra planejada, uma reserva financeira ou outro objetivo que seja importante para você.
Isso muda a maneira como você enxerga a economia. Você não está apenas deixando de comprar alguma coisa. Está escolhendo usar seu dinheiro para algo que considera mais importante.
Se você está trabalhando para alcançar um objetivo financeiro específico, vale também conferir o conteúdo do CadaMoeda sobre como juntar dinheiro para um objetivo.
Faça um teste por 30 dias
Se você quer realmente descobrir quanto dinheiro está gastando com coisas desnecessárias, experimente fazer um teste durante 30 dias.
Não precisa cortar todo o lazer nem deixar de comprar qualquer coisa.
Durante esse período:
- anote todas as compras não planejadas;
- espere antes de comprar por impulso;
- evite entrar em lojas apenas para “dar uma olhada”;
- revise assinaturas que você quase não utiliza;
- pense duas vezes antes de aproveitar uma promoção;
- compare o preço antes de comprar;
- registre quanto dinheiro deixou de gastar.
Ao final dos 30 dias, observe o resultado.
Mais importante do que o valor economizado será perceber quais são as situações que mais provocam gastos desnecessários.
A partir daí, você poderá criar regras que façam sentido para a sua realidade.
Não transforme economia em privação
Parar de gastar com coisas desnecessárias não significa deixar de aproveitar a vida. O objetivo é fazer escolhas conscientes que caibam no orçamento.
Você não precisa eliminar completamente o lazer ou pequenos prazeres. Pode, por exemplo, definir uma frequência ou um valor para essas despesas sem prejudicar outras prioridades.
Economizar não significa dizer “não” para tudo, mas aprender a dizer “não agora” para aquilo que não é prioridade.
Conclusão
Parar de gastar dinheiro com coisas desnecessárias começa muito mais pela mudança de comportamento do que por uma lista de cortes.
Quando você passa a questionar suas compras, esperar antes de decidir, identificar os gastos por impulso e dar um destino ao dinheiro economizado, fica mais fácil fazer escolhas de acordo com suas prioridades.
Você não precisa deixar de comprar aquilo que gosta. Precisa apenas evitar que compras momentâneas decidam o que será possível fazer com seu dinheiro no futuro.
No fim das contas, cuidar melhor das finanças não significa gastar o mínimo possível. Significa usar cada moeda de maneira mais consciente.
